domingo, 30 de maio de 2010

EFEMÉRIDE DO DIA - Wenceslau de Moraes.

1895 - Traços do Extremo Oriente


Neste dia, em 1854, nasceu em Lisboa, o escritor português Wenceslau de Moraes.

Em 1889, viajou até ao Japão, país que o encanta, e onde regressará várias vezes nos anos que se seguem no exercício das suas funções. Em 1897 visita o Japão, na companhia do Governador de Macau, sendo recebido pelo Imperador Meiji. No ano seguinte abandona Atchan e os seus dois filhos, e muda-se definitivamente para o Japão, como cônsul em Kobe. Aí a sua vida é marcada pela sua actividade literária e jornalística, pelas suas relações amorosas com duas japonesas (Ó-Yoné Fukumoto e Ko-Haru) e pela sua crescente "japonização".

Durante os trinta anos que se seguiram Venceslau de Morais tornou-se a grande fonte de informação portuguesa sobre o Oriente, partilhando as suas experiências íntimas do quotidiano japonês com os seus leitores Portugueses, numa actividade paralela à de Lafcádio Hearn, o grande divulgador da cultura nipónica no mundo anglo-saxão, de quem foi contemporâneo.

A sua obra:

1895 - Traços do Extremo Oriente
1897 - Dai-Nippon
1904 - Cartas do Japão (com várias séries e volumes publicados após esta data)
1905 - O culto do chá
1906 - Paisagens da China e do Japão (eBook)
1907 - A vida japonesa
1916 - O "Bon-Odori" em Tokushima
1917 - Ko-Haru
1920 - Fernão Mendes Pinto no Japão
1923 - Ó-Yoné e Ko-Haru
1924 - Relance da história do Japão
1926 - Os serões no Japão
1928 - Relance da alma japonesa
1933 - Osoroshi




Sinopse

Livro de Mágoas é o primeiro livro de Florbela Espanca, editado em 1919. A edição é da responsabilidade de Raul Proença a quem a autora envia os primeiros poemas em 1916, numa colectânea a que chamou «Trocando Olhares».

A obra abre com epígrafe a Eugénio de Castro e Verlaine e Florbela dedica-a ao seu pai, que considera o seu melhor amigo, e à sua alma irmã - o seu irmão.

Florbela centra-se, ao longo de 32 sonetos, na temática da mágoa, da dor e da saudade. "Estabelece um espaço poético único, que deseja como espaço de comunicação entre tristes e magoados" (CITI).



Ensaio sobre Poema “Eu”


Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

(Florbela Espanca - Livro de Mágoas)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

JOSÉ RÉGIO



JOSÉ RÉGIO

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.


Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno sacrifício
De trinta contos só ! por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.

JOSÉ RÉGIO
Soneto (quase inédito), escrito em 1969 no dia de uma reunião de antigos alunos

tão actual não é?!!!

terça-feira, 25 de maio de 2010

António Lobo Antunes


1942

Nasce a 1 de Setembro, em Lisboa, filho de Maria Margarida Almeida Lima e João Alfredo Lobo Antunes.

1948

Entra no ensino primário.

1950

Viaja em Junho com o avô paterno António Lobo Antunes, conhecendo a Europa, rumo a Pádua, Itália, devido a uma promessa que este avô fizera, ainda antes do neto nascer, na condição de que se fosse rapaz e viesse a chamar-se António, o levaria à cidade que tem como patrono Santo António. Foi aí que fez a sua primeira comunhão.

1952

Em Outubro ingressa no Lyceu Camões (actual Escola Secundária de Camões), em Lisboa. É na biblioteca desta escola que vem a conhecer grandes nomes da literatura como Sartre, Malraux, Mauriac, Gogol, Tolstoi e Checov. Começa a escrever poesia e algumas histórias.

1959

Entra na Faculdade de Medicina, por imposição paternal uma vez que gostaria de seguir Literatura.

1960

Morre o avô paterno a 8 de Novembro.

1965

Começa a escrever um romance (nunca publicado) que trabalhará ao longo de dez anos. Por esta altura conhece autores americanos como Fitzgerald, Melville e Faulkner.

1969

Morre a avó materna, Margarida Almeida Lima.

1968

Termina o curso e faz o estágio num hospital de Londres durante dois anos.

1970

Em 6 de Janeiro, é recrutado para o exército, para cumprir o serviço militar, donde sairia como alferes miliciano, mais tarde promovido a tenente. Casa com Maria José Xavier da Fonseca e Costa, em 1 de Agosto, após um namoro de seis anos.

1971

Também a 6 de Janeiro, embarca para Angola, um dos teatros de operação da guerra colonial. É nestas condições que viria a firmar uma longa amizade e cumplicidade com o então capitão Ernesto Melo Antunes. Neste ano nasce a sua filha Maria José, em Junho.

1973

Regressa de Angola em Março. Nasce a sua filha Joana em Dezembro. Ingressa no final do ano no Hospital Miguel Bombarda como médico psiquiatra, após ter passado pelo Hospital de Santa Maria.

1974

Publica um trabalho científico de Psiquiatria com a colaboração de Maria Inês Dias sobre a obra de Ângelo de Lima: Loucura e criação artística: Ângelo de Lima, poeta de Orpheu.

1976

Começa a escrever Memória de Elefante, o seu primeiro romance publicado. Separa-se de Maria José Xavier da Fonseca e Costa.

1977

Termina Memória de Elefante e começa a trabalhar sobre Os Cus de Judas.

1978

Começa a escrever Conhecimento do Inferno.

1979

Ano em que oficialmente inicia a sua carreira literária, com a publicação dos livros
Memória de Elefante
e Os Cus de Judas, ambos editados pela Vega (colecção o chão da palavra). A publicação deveu-se ao grande incentivo dos amigos, principalmente de Daniel Sampaio.

1980

Torna-se militante da APU, embora por curto tempo. Conhece o seu futuro agente em Nova Iorque, Thomas Colchie, com quem viria a criar uma boa amizade. É publicado, pela Vega, Conhecimento do Inferno.

1981

Ainda pela Vega, publica Explicação dos Pássaros. Casa com Maria João Espírito Santo Burstoff Silva, de quem se separará alguns anos depois.

1983

Nasce a sua filha Isabel, fruto do seu segundo casamento. Faz amizade com o escritor José Cardoso Pires, vindo a ser o amigo mais presente na sua vida. Em Novembro publica Fado Alexandrino, já pela Dom Quixote (editora onde publicará toda a sua obra). Primeira tradução para uma língua estrangeira (inglês), com Os Cus de Judas (South of Nowhere).

1985

Dedica-se totalmente à actividade de romancista, deixando aos poucos de exercer a psiquiatria, embora não abandone o Hospital Miguel Bombarda, onde manterá alguns doentes. Publica Auto dos Danados, com que recebe o Grande Prémio de Romance e Novela da APE.

1988

Em Abril publica As Naus, cujo título original seria O Regresso das Caravelas, mas impedido de o usar porque alguém já o tinha registado.

1990

Publica Tratado das Paixões da Alma. Começa a ser falado para o Prémio Nobel da Literatura.

1992

Morre a sua tia Madalena, vítima de cancro, referida em A Ordem Natural das Coisas, que é publicado em Novembro desse ano. É-lhe diagnosticado o problema da audição.

1994

Publica A Morte de Carlos Gardel. Prefacia a edição pela Dom Quixote de O Som e a Fúria, de William Falkner.

1995

Publica o seu primeiro Livro de Crónicas, dedicando-o ao homem que marcou a sua vida, o avô António.

1996

Publica Manual dos Inquisidores. É laureado com o Prémio France Culture (França), pelo romance A Morte de Carlos Gardel.

1997

Recebe novamente o Prémio France Culture pelo romance Manual dos Inquisidores. Publica O Esplendor de Portugal. O seu nome continua sendo apontado como um dos candidatos ao Prémio Nobel da Literatura.

1998

Morre o seu grande amigo José Cardoso Pires, escritor.

1999

Publica Exortação Aos Crocodilos, e recebe o seu segundo Grande Prémio de Romance e Novela da APE, e ainda o Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus. Sofre a perda da sua primeira mulher, Maria José Xavier da Fonseca e Costa, e de outro grande amigo, companheiro de guerra e da vida, Ernesto Melo Antunes.

2000

Publica Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura. Recebe o Prémio de Literatura Europeia do Estado Austríaco pelo romance Exortação Aos Crocodilos. Nasce o seu primeiro neto, José Maria, filho de Maria José Lobo Antunes.

2001

Publica Que Farei Quando Tudo Arde?. Inaugura em Nelas uma rua com o seu nome.

2002

Comemora 20 anos como autor na Dom Quixote. A editora publica o seu Segundo Livro de Crónicas, oferecendo a «inédita e irrepetível» edição de Letrinhas de Cantigas, poemas de António Lobo Antunes para o cantor Vitorino. É constituída a equipa Ne Varietur para a fixação do texto da totalidade da sua obra até então publicada, equipa coordenada por Maria Alzira Seixo com Graça Abreu, Eunice Cabral e Agripina Carriço Vieira.

2003

É publicado o romance Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo, o primeiro romance com edição ne varietur. É galardoado com o Prémio Internacional União Latina e com o Prémio Ovidius, da União de Escritores Romenos. O seu nome não deixa de ser falado como futuro Prémio Nobel.

2004

Perde o seu pai, João Alfredo Figueiredo Lobo Antunes. Recebe o Prémio Fernando Namora da Sociedade Estoril Sol, pelo romance Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo, e pelo conjunto da obra é galardoado com um dos grandes prémios internacionais de literatura, o Prémio Jerusalém. Publica Eu Hei-de Amar Uma Pedra, no mesmo ano em que comemora 25 anos de vida literária. Tereza Coelho publica a sua Fotobiografia.

2005

É distinguido pela Grande Ordem de Santiago de Espada, e recebe o Globo de Ouro Sic / Caras 2004 na categoria Artes. Em Junho, a Biblioteca Municipal de Nelas adopta o seu nome. Suas filhas Maria José e Joana publicam em Novembro as cartas que escreveu a sua mulher durante o período em Angola, sob o título D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto - Cartas da Guerra.

2006

Publica em Março o seu Terceiro Livro de Crónicas. É galardoado com o Prémio José Danoso 2006 atribuído pela Universidade Chilena de Talca. Em Outubro publica o 18º romance, Ontem não te vi em Babilónia.

2007

É galardoado com o Prémio Camões, na sua 19ª edição, em Março. Na mesma altura é-lhe diagnosticado cancro no intestino, doença que torna pública numa crónica que escreve à revista Visão - Crónica do hospital. Submete-se a uma cirurgia onde lhe é removido o tumor e recupera muito bem após o tratamento. No final do ano declara que está curado. Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro em Julho, e o Prémio Pablo Neruda em Setembro. Publica o seu 19º romance, O Meu Nome É Legião, em Outubro.

2008

Recebe, a 22 de Fevereiro, em cerimónia no Instituto Camões em Lisboa, o Prémio José Donoso 2006. A cerimónia fora adiada um ano, devido aos problemas de saúde que o afectaram no ano de 2007. Mais tarde decorre a entrega do Prémio Camões 2007. É distinguido com o prémio espanhol Terence Moix, pelo livro Ontem Não Te Vi Em Babilónia, considerado pelo júri como o melhor livro de ficção publicado em Espanha em 2007. Em Setembro é condecorado pelo Governo Francês com as insígnias de Comendador das Artes e das Letras. É galardoado com o Prémio Juan Rulfo, o primeiro português a receber o galardão latino-americano. Publica em Outubro O Arquipélago da Insónia. Forma com outros sete pares a Academia Pedro Hispano. Recebe ainda, no final do ano, o Prémio Clube Literário do Porto.

2009

Confessa em entrevista que deixará de publicar, prometendo um livro este ano e só mais um outro em 2011. É distinguido com o grau Doutor Honoris Causa pela Universidade de Ovidius (Roménia). Recebe em Junho o Prémio Extramadura a la Creación juntamente com Siza Vieira. Regressa ao Brasil, terra do seu avô paterno, após 26 anos, para participar na 7ª Festa Literária Internacional de Paraty. Comemora os 30 anos da publicação de Memória de Elefante e Os Cus de Judas, de que a Dom Quixote faz uma edição especial. Nasce o seu segundo neto, filho de Joana Lobo Antunes. Em Outubro publica Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?.

2010

Tendo pronto o livro Sôbolos Rios Que Vão a publicar em Outubro, começa a trabalhar em Fevereiro num novo livro, contrariando a intenção de deixar de publicar anunciada um ano antes. Casa em Maio com a jornalista Cristina Ferreira de Almeida.

Continua a escrever.

PEREGRINAÇÃO

O escritor António Lobo Antunes elogiou o novo romance do escritor e jornalista Pedro Rosa Mendes, "Peregrinação de Enmanuel Jhesus", classificando-o como "um livro bom" que "honra a Literatura Portuguesa (...)

(...)António Lobo Antunes admitiu que, até há pouco tempo, não conhecia os livros de Pedro Rosa Mendes e que quando leu "A Baía dos Tigres" foi "uma descoberta", achou que "era um livro muito, muito bom" e que "havia ali boas palavras, palavras inteligentes". (...)

Agostinho da Silva


«Agostinho da Silva foi um grande pensador e filósofo português do século XX. Exibindo uma sabedoria clara e simples durante toda a sua vida, promoveu o diálogo aberto com todas as pessoas. Grande defensor da liberdade e da criatividade individual, desmantelou todos os dogmas e certezas das sociedades, num processo de dar continuidade efectiva à construção de uma sociedade livre em que cada homem se possa realizar sem opressões. Construiu um sonho que continua a ser possível por via da não negação convincente de todos os que se lhe tentaram opor. »
«Autor de muitos ensaios, caracterizados por pequenos textos objectivos, Agostinho da Silva foi também protagonista de muitas entrevistas eternizadas pela sabedoria das suas respostas. Este livro é uma compilação genérica por temas do legado que Agostinho da Silva nos deixou, e que abre os horizontes de qualquer um face ao mundo que nos rodeia, fazendo repensar a vida e dar mais atenção a nós próprios.»


A paixão, o amor, são coisas que, quando existem, é difícil que existam. Quando você me diz: «Gosto muito de quintas», eu posso perguntar-lhe de imediato: «Tem alguma?» E você responde-me: «Tenho uma!» Então eu desconfio que isso não tem nada a ver com amor... É simplesmente o lucro, é a comodidade, qualquer coisa do género... Se, por outro lado, você me diz: «Não tenho nenhuma quinta, nem quero!», então aí já eu penso: «Este sabe o que é amar.» Como vê, são dois verbos distintos, o verbo «amar» e o verbo «ter»; a posse destrói sempre o amor.

Fernando Pessoa - "Citações e Pensamentos"


Título: "Citações e Pensamentos de Fernando Pessoa"

Ano de Publicação: 2009
Edição: Casa das Letras

Organizador: Paulo Neves da Silva

Sinopse: 100 excertos, 350 citações, 65 poemas, distribuídos por mais de 200 temas. Uma compilação única dos melhores textos de Fernando Pessoa.

Fernando Pessoa é popularmente conhecido como um dos maiores poetas portugueses, mas a sua obra como pensador é fracamente conhecida. Este livro é o produto da selecção e recolha de textos do autor por toda a sua obra, dispersa pelos mais variados livros editados após a sua morte como compilações dos seus manuscritos. Portador de uma sabedoria lúcida que poderia rivalizar com os maiores filósofos, a par de uma capacidade de expressão prática em pequenos textos, Pessoa oferece momentos de reflexão sobre temáticas intemporais, escritas de uma forma única, numa filosofia que não descura a prática, envolta sempre de algum sentido poético.

O dia em que Sócrates vestiu jeans




O dia em que Sócrates vestiu jeans

Autora: Lucy Eyre

Data da 1.ª edição: Abril de 2007

Sobre a autora:

Lucy Eyre cresceu em Londres e estudou Filosofia na Universidade de Oxford. Conviveu desde muito cedo com escritores e argumentistas por ser filha do realizador cinematográfico Richard Eyre. Uma doença súbita conduziu-a a uma forma diferente de ver a vida. Dedicou-se, assim, à escrita. Surgiu este livro, agora traduzido em Português.

Sobre o livro:

O título da edição inglesa, “If Minds Had Toes”, (na edição brasileira “O Pensamento Voa - Descobrindo o prazer da filosofia”) é bem diferente do da edição portuguesa da “Casa das letras”. Talvez os jeans sejam símbolo de bem-estar, de prazer de viver e de liberdade. Sócrates, celebérrimo filósofo que deu a vida por um ideal de justiça, ao vestir jeans estará a comprometer-se numa forte e actual ligação à juventude, para confirmar o seu verdadeiro carácter. Lembremo-nos de que uma das acusações que o levaram à condenação à morte foi a de corromper a juventude, o que confirma a sua ocupação pedagógica.
Os temas fundamentais da filosofia presentes no Mundo das ideias (uma alusão à filosofia do célebre filósofo grego, Platão, e ao seu mestre que nada escreveu, Sócrates), a moral, o livre-arbítrio e a felicidade, são alvo de uma sucessão de diálogos entre Bem Warner, um adolescente típico, Lila, uma mulher jovem e atraente, e os grandes e determinantes pensadores-filósofos de sempre. Ela leva-o, por meio de um bizarro convite, para um lugar inteiramente desconhecido, o “Mundo das Ideias”, cujo presidente é Sócrates, o mestre de Platão. Curiosamente, Sócrates fez uma aposta com o seu rival e grande filósofo, Wittgenstein, filósofo austríaco considerado um dos maiores do século XX (contribuiu com diversas inovações nos campos da lógica, filosofia da linguagem e epistemologia.). Sócrates tem todo o interesse em ganhar a aposta e, para tal, terá de convencer Ben Warner de que a filosofia pode melhorar a sua vida. Então o nosso jovem acaba por entrar num mundo paralelo e por encetar uma viagem mental às grandes questões da filosofia que são, entre outras: O que é o mundo? O que é a felicidade? A morte é ou não o que de pior nos pode acontecer? Teremos vontade própria ou obedecemos a um destino preconcebido por um ser que tudo criou e em tudo manda? Em que é que nós podemos acreditar? Qual a diferença entre verdade e mentira? Porquê os dilemas morais?
Por exemplo, a propósito do que é errado ou não e das regras morais:
“- Se é possível dizer que não faz mal infringir uma regra (…) se com isso evitar um desfecho verdadeiramente mau, então qual é a vantagem de ter regras? Ou as regras são invioláveis e é por isso que as temos, ou podem, por vezes, ser infringidas, caso em que deixam de ser regras.
- Num dilema moral como deve ser (…) seja o que for que fizermos envolve sempre fazer qualquer coisa errada. É óbvio que não existe uma resposta fácil. Se houvesse não seria um verdadeiro dilema.” – (pág. 229)
Realmente o nosso jovem escapa a uma vida entediante e desperta para a sua importância através da aprendizagem dos conceitos básicos da filosofia. Para além disso conclui, ou faz-nos concluir, que a filosofia é inevitável. Toda a gente necessita de uma filosofia de vida. Toda a gente precisa de saber em quê e porquê acreditar nisto ou naquilo. Toda a gente tem um caminho a trilhar e sem filosofia não sabe nem o porquê nem o para quê desse caminho que é sempre resposta a perguntas existenciais.
Este livro aconselha-se a toda a gente, nomeadamente às pessoas inteligentes, divertidas e cativantes, mas também àqueles que, não o sendo, apreciam a originalidade, a diversão e a inteligência. No fundo, este livro mostra-nos que qualquer pessoa pode ser ensinada a pensar. Para tanto basta lê-lo e deixar-se encantar com a fluidez da escrita de Lucy Eyre.

Boa Leitura.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Meu Filho, Meu Tesouro



Meu Filho, Meu Tesouro é um livro escrito pelo Dr. Benjamin Spock e publicado originalmente em 1946. O livro é um manual de conselhos direcionado especialmente às mães, orientando-as com os cuidados básicos que elas devem tomar com os seus bebês.
O lançamento do livro foi um marco, ajudando a disseminar as noções de puericultura na população, em uma época em que esses tipos de conhecimentos eram quase que exclusivos da comunidade médica. Editado em mais de 20 línguas, ao longo do mundo, o livro se tornou um best-seller, tendo vendido mais de 50 milhões de cópias.
Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Meu_Filho,_Meu_Tesouro"

O meu filho, as drogas e eu



O LIVRO

Meu filho, as drogas e eu! apresenta-se como um livro incontornável e imprescindível, numa época em que o contacto dos jovens com as drogas tem lugar mais cedo do que nunca e em que o surgimento de novas substâncias, como as chamadas drogas de síntese, exigem da parte dos pais e dos educadores uma maior informação e, sobretudo, conselhos e orientações adequadas sobre como lidar com os adolescentes.

Este livro, escrito de forma simples e acessível, proporciona, tanto a pais, como a educadores e demais pessoas que nas suas actividades diárias se relacionam com os jovens, um vasto conjunto de conhecimentos que lhes permitirão detectar se os adolescentes estão começando a consumir drogas – algo mais difícil do que parece –, ajudá-los adequadamente se já forem consumidores e, principalmente, levar a cabo uma educação preventiva eficaz.

O AUTOR

José A. García del Castillo é doutorado em Psicologia. Ocupa a Cátedra de Psicologia Social na Universidade Miguel Hernández de Alicante e dirige o Instituto de Investigación de Drogodependencias (INID). É actualmente considerado umas das maiores autoridades espanholas no campo da prevenção das drogas, em resultado da sua vasta experiência como docente e investigador. Desenvolve regularmente cursos e seminários para professores, pais e jovens em toda a Espanha e é colaborador frequente de distintos órgãos de comunicação social, como especialista no campo da investigação e prevenção da toxicodependência.

domingo, 23 de maio de 2010

Conversas de Escritores



Sinopse
O que acontece quando os maiores escritores da literatura universal contemporânea se sentam para falar com José Rodrigues dos Santos? - A resposta é: um diálogo fascinante. Conversa de Escritores coloca os grandes autores do nosso tempo a reflectir sobre a vida, o mundo e a escrita. São vozes e rostos que desfilaram semanas a fio pela antena da RTP-N no mais inteligente programa da televisão portuguesa em 2009.

Dez grandes escritores, dez grandes conversas!

Este livro traz-nos as entrevistas com dez dos principais escritores da literatura universal contemporânea e ainda as histórias de bastidores dos seus encontros com José Rodrigues dos Santos.
Conversas de Escritores de José Rodrigues dos Santos

O Cristo Cigano



O Cristo Cigano
– Obra de Sophia de Mello Breyner, publicada originalmente em 1961, escrita sob a influência do grande poeta do Nordeste do Brasil, João Cabral de Mello Neto. O universo temático abordado concentra-se, entre outros, na religiosidade cristã.

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Sinopse
A presente edição de O Cristo Cigano integra-se num novo plano de publicação da Obra Poética de Sophia de Mello Breyner Andresen. Para além da fixação definitiva do texto, a cargo de Luís Manuel Gaspar, regressa-se à edição autónoma de cada um dos livros de poemas da autora.
"O Cristo Cigano", sexta obra de poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, é por ela referido em Arte Poética IV (Dual, Lisboa, Moraes Editores, 1972) como um conjunto de «vários poemas soltos» organizados «num só poema longo», a partir de «uma história, um tema, anterior ao poema», o que o afasta do conceito de «livro» comum às outras recolhas poéticas da autora e justifica o título Livro Sexto atribuído ao volume seguinte.
"O Cristo Cigano" teve duas edições autónomas (1.ª ed., com o título O Cristo Cigano ou a Lenda do Cristo Cachorro, Lisboa, Minotauro, 1961; 2.ª ed., com variantes, Lisboa, Moraes Editores, 1978) e não foi incluído em Obra Poética II, Lisboa, Editorial Caminho, 1991. A presente edição definitiva respeita as emendas da autora à última versão e inclui um poema (A Palavra Faca) que nela não figurava, e que é retomado da 1.ª edição.
A revisão de texto obedece às normas ortográficas vigentes, não ocorrendo neste poema nenhum dos casos em que a autora deliberadamente delas se afasta, e que têm, noutras obras, um exemplo — significativo na palavra «dansa».
O Cristo Cigano de Sophia de Mello Breyner Andresen

Não existem livros morais ou imorais. Livros são bem escritos, ou mal escritos. Isso é tudo. – Oscar Wilde

Não existem livros morais ou imorais. Livros são bem escritos, ou mal escritos. Isso é tudo. – Oscar Wilde

Eu, Christiane F., Treze Anos, Drogada, e prostituída...


Eu, Christiane F., Treze Anos, Drogada, e prostituída...

Kai Hermann & Horst Rieck

Editora Bertrand Brasil

(1982 - no Brasil)

Wir Kinder Vom Bahnhof Zoo (Os Meninos da Estação Zoo), biografia da então jovem Christiane Felscherinow, escrita pelos jornalistas alemães Horst Rieck e Kai Hermann, foi lançada no Brasil em 1982 com o apelativo e kilométrico título de Eu, Christiane F., Treze Anos, Drogada, e Prostituída...

O livro conta as travessuras de uma garota que passava o tempo fuçando o nariz (e outras partes do corpo) para matar o tédio na Berlim do final da década de 70.

Com o intuito de afastar os filhos das drogas, o livro foi presente obrigatório de muitas mamães para seus pimpolhos, o que não impediu de torna-lo rapidamente uma febre entre os jovens (literáticos, off course) na década de 80. Na cola do livro veio o filme (ou o contrário, quem se importa?), uma espécie de Trainspotting daqueles anos pré-aids. Dessa vez as mamães não quiseram levar as crianças ao cinema, mas o filme transformou-se em cult assim mesmo (Quem nunca falsificou uma carteirinha de estudante que atire a primeira pedra).

Após várias recaídas nos anos seguintes a publicação do livro, Cristiane casou com um músico e teve uma filha em 1999.


sábado, 15 de maio de 2010

Dizem que finjo ou minto




Poesia 1931-1935 e não datada
Fernando Pessoa

Colecção: Obras de Fernando Pessoa

Assírio & Alvim - 2006

Formato: Edição Brochada
ISBN: 972-37-1072-2
Preço de Capa: 38
Preço assirio.com: 30.4€



Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Fernando Pessoa

"Os Cardos Morrem a Seu Tempo"


A escolha do Dia...

"Os Cardos Morrem a Seu Tempo"


"Os Cardos Morrem a seu Tempo" é um fascinante romance, escrito por Manuel Pinto Cabral, que nos cria a ideia de um diário de bordo, ao longo da viagem na fragata Vasco da Gama em Moçambique, nos fins da década de sessenta, em plena Guerra Colonial.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Livro da semana: Quem Não Adivinha Burro É!

Livro da semana: Quem Não Adivinha Burro É!


A assobiar corre

Como um furacão

Até faz tremer o chão

Mas é lindo a fumegar


A mãe ladra

O pai é ladrão

E os filhos

Para não perderem

Não fogem à geração


Adivinha adivinhar

Qual é a primeira coisa

Que se faz ao acordar

Estas são apenas algumas das muitas dezenas de advinhas que Quem Não Adivinha Burro É!, de Manuela Espírito Santo, hoje como livro da semana.

A ética de Kant



A colecção Textos Fundamentais da Filosofia contempla as principais obras que integram o Programa de Filosofia para o 12.º ano de escolaridade, destinando-se aos alunos que necessitam de se preparar para o Exame Nacional e a todos os que desejam conhecer mais aprofundadamente textos filosóficos de referência. A obra Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Immanuel Kant, contempla, tal como todos os títulos desta colecção:
- texto integral
- análise e leitura orientada da obra
- contextualização do autor na sua época
- questões de exame nacional
- critérios de correcção
- tópicos de conteúdo



Como muitos outros filósofos, Kant pensava que a moralidade pode resumir-se num princípio fundamental, a partir do qual se derivam todos os nossos deveres e obrigações. Chamou a este princípio «imperativo categórico». Na Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785) exprimiu-o desta forma:

Age apenas segundo aquela máxima que possas ao mesmo tempo desejar que se torne lei universal.

No entanto, Kant deu igualmente outra formulação do imperativo categórico. Mais adiante, na mesma obra, afirmou que se pode considerar que o princípio moral essencial afirma o seguinte:

Age de tal forma que trates a humanidade, na tua pessoa ou na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca apenas como um meio.

Os estudiosos têm-se perguntado desde então por que razão pensava Kant que estas duas regras são equivalentes. Parecem exprimir concepções morais diferentes. Serão, como Kant pensava aparentemente, duas versões da mesma ideia básica, ou são simplesmente ideias diferentes? Não nos vamos deter nesta questão. Vamos, em vez disso, concentrar-nos na crença de Kant de que a moralidade exige que tratemos as pessoas «sempre como um fim e nunca apenas como um meio». O que significa exactamente isto, e que razão há para pensar que é verdade?

Quando Kant afirmou que o valor dos seres humanos «está acima de qualquer preço» não tinha em mente apenas um efeito retórico, mas sim um juízo objectivo sobre o lugar dos seres humanos na ordem das coisas. Há dois factos importantes sobre as pessoas que apoiam, do seu ponto de vista, este juízo.

Primeiro, uma vez que as pessoas têm desejos e objectivos, as outras coisas têm valor para elas em relação aos seus projectos. As meras «coisas» (e isto inclui os animais que não são humanos, considerados por Kant incapazes de desejos e objectivos conscientes) têm valor apenas como meios para fins, sendo os fins humanos que lhes dão valor. Assim, se quisermos tornar-nos melhores jogadores de xadrez, um manual de xadrez terá valor para nós; mas para lá de tais objectivos o livro não tem valor. Ou, se quisermos viajar, um carro terá valor para nós; mas além de tal desejo o carro não tem valor.

Segundo, e ainda mais importante, os seres humanos têm «um valor intrínseco, isto é, dignidade», porque são agentes racionais, ou seja, agentes livres com capacidade para tomar as suas próprias decisões, estabelecer os seus próprios objectivos e guiar a sua conduta pela razão. Uma vez que a lei moral é a lei da razão, os seres racionais são a encarnação da lei moral em si. A única forma de a bondade moral poder existir é as criaturas racionais apreenderem o que devem fazer e, agindo a partir de um sentido de dever, fazê-lo. Isto, pensava Kant, é a única coisa com «valor moral». Assim, se não existissem seres racionais a dimensão moral do mundo simplesmente desapareceria.

Não faz sentido, portanto, encarar os seres racionais apenas como um tipo de coisa valiosa entre outras. Eles são os seres para quem as meras «coisa» têm valor, e são os seres cujas acções conscientes têm valor moral. Kant conclui, pois, que o seu valor tem de ser absoluto, e não comparável com o valor de qualquer outra coisa.

Se o seu valor está «acima de qualquer preço», segue-se que os seres racionais têm de ser tratados «sempre como um fim e nunca apenas como um meio». Isto significa, a um nível muito superficial, que temos o dever estrito de beneficência relativamente às outras pessoas: temos de lutar para promover o seu bem-estar; temos de respeitar os seus direitos, evitar fazer-lhes mal, e, em geral, «empenhar-nos, tanto quanto possível, em promover a realização dos fins dos outros».

Mas a ideia de Kant tem também uma implicação um tanto ou quanto mais profunda. Os seres de que estamos a falar são racionais, e «tratá-los como fins em si» significa respeitar a sua racionalidade. Assim, nunca podemos manipular as pessoas, ou usá-las, para alcançar os nossos objectivos, por melhores que esses objectivos possam ser. Kant dá o seguinte exemplo, semelhante a outro que utiliza para ilustrar a primeira versão do seu imperativo categórico: suponha que precisa de dinheiro e quer um empréstimo, mas sabe que não será capaz de devolvê-lo. Em desespero, pondera fazer uma falsa promessa de pagamento de maneira a levar um amigo a emprestar-lhe o dinheiro. Poderá fazer isso? Talvez precise do dinheiro para um propósito meritório — tão bom, na verdade, que poderia convencer-se a si mesmo de que a mentira seria justificada. No entanto, se mentisse ao seu amigo, estaria apenas a manipulá-lo e a usá-lo «como um meio».

Por outro lado, como seria tratar o seu amigo «como um fim»? Suponha que dizia a verdade, que precisava do dinheiro para um certo objectivo mas não seria capaz de devolvê-lo. O seu amigo poderia, então, tomar uma decisão sobre o empréstimo. Poderia exercer os seus próprios poderes racionais, consultar os seus próprios valores e desejos, e fazer uma escolha livre e autónoma. Se decidisse de facto emprestar o dinheiro para o objectivo declarado, estaria a escolher fazer seu esse objectivo. Dessa forma, o leitor não estaria a usá-lo como um meio para alcançar o seu objectivo, pois seria agora igualmente o objectivo dele. É isto que Kant queria dizer quando afirmou que «os seres racionais […] têm sempre de ser estimados simultaneamente como fins, isto é, somente como seres que têm de poder conter em si a finalidade da acção».

A concepção kantiana da dignidade humana não é fácil de entender; é provavelmente a noção mais difícil discutida neste livro. Precisamos de encontrar uma forma de tornar a ideia mais clara. Para isso, analisaremos com algum detalhe uma das suas aplicações mais importantes. Isto pode ser bem melhor do que uma discussão teórica árida. Kant pensava que se tomarmos a sério a ideia da dignidade humana seremos capazes de entender a prática da punição de crimes de uma forma nova e reveladora. O resto deste capítulo será dedicado a um exame deste exemplo.

James Rachels
Tradução de F. J. Azevedo Gonçalves
Excerto retirado de Elementos de Filosofia Moral, de James Rachels (Lisboa: Gradiva, 2004)