Uma porta Aberta para a nossa Língua, para o conhecimento da palavra e das suas gentes.O saber escrever Português.
quinta-feira, 9 de maio de 2019
Os 15 melhores livros da literatura universal - PDF
Os 15 melhores começos de livros da literatura universal em PDF
A seleção percorre quase quatro séculos de literatura, de “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes; publicado em 1605, a “O Jardim do Diabo”, de Luis Fernando Veríssimo; publicado em 1988. Além das obras capitais de Veríssimo e Cervantes, integram a lista: “Moby Dick”, de Herman Melville; “Notas do Subsolo”, de Dostoiévski; “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa; “O Complexo de Portnoy”, de Philip Roth; “A Lua Vem da Ásia”, de Campos de Carvalho; “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger; “O Amanuense Belmiro”, de Cyro dos Anjos; “A Metamorfose”, de Franz Kafka; “Anna Kariênina”, de Lev Tolstói; “O Ventre”, de Carlos Heitor Cony; “Lolita”, de Vladimir Nabokov; “As Ondas”, de Virginia Woolf; e “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez.
Moby Dick
(Herman Melville)
Chamem-me simplesmente Ismael. Aqui há uns
anos não me peçam para ser mais preciso —, tendo-me dado conta de que o meu
porta-moedas estava quase vazio, decidi voltar a navegar, ou seja, aventurar-me
de novo pelas vastas planícies líquidas do Mundo. Achei que nada haveria de
melhor para desopilar, quer dizer, para vencer a tristeza e regularizar a
circulação sanguínea. Algumas pessoas, quando atacadas de melancolia,
suicidam-se de qualquer maneira. Catão, por exemplo, lançou-se sobre a própria
espada. Eu instalo-me tranquilamente num barco.
Anna Kariênina
(Lev Tolstói)
Todas as famílias felizes se parecem, cada
família infeliz é infeliz à sua maneira. Tudo era confusão na casa dos
Oblónski. A esposa ficara sabendo que o marido mantinha um caso com a
ex-governanta francesa e lhe comunicara que não podia viver com ele sob o mesmo
teto. Essa situação já durava três dias e era um tormento para os cônjuges,
para todos os familiares e para os criados. Todos, familiares e criados,
achavam que não fazia sentido morarem os dois juntos e que pessoas reunidas por
acaso em qualquer hospedaria estariam mais ligadas entre si do que eles.
Notas do Subsolo
(Dostoiévski)
Sou um homem doente… Sou mau. Não tenho
atrativos. Acho que sofro do fígado. Aliás, não entendo bulhufas da minha
doença e não sei com certeza o que é que me dói. Não me trato, nunca me tratei,
embora respeite os médicos e a medicina. Além de tudo, sou supersticioso ao
extremo; bem, o bastante para respeitar a medicina. (Tenho instrução suficiente
para não ser supersticioso, mas sou.) Não, senhores, se não quero me tratar é
de raiva. Isso os senhores provavelmente não compreendem.
Grande Sertão: Veredas
(Guimarães Rosa)
Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de
briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo
do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha
mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso,
os olhos de nem ser — se viu —; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não
quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse
figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram — era o
demo.
O Complexo de Portnoy
(Philip Roth)
Ela estava tão profundamente entranhada em
minha consciência que, no primeiro ano na escola, eu tinha a impressão de que
todas as professoras eram minha mãe disfarçada. Assim que tocava o sinal ao fim
das aulas, eu voltava correndo para casa, na esperança de chegar ao apartamento
em que morávamos antes que ela tivesse tempo de se transformar. Invariavelmente
ela já estava na cozinha quando eu chegava, preparando leite com biscoitos para
mim. No entanto, em vez de me livrar dessas ilusões, essa proeza só fazia
crescer minha admiração pelos poderes dela.
A Lua Vem da Ásia
(Campos de Carvalho)
Aos 16 anos matei meu professor de lógica.
Invocando a legítima defesa — e qual defesa seria mais legítima? — logrei ser
absolvido por cinco votos a dois, e fui morar sob uma ponte do Sena, embora
nunca tenha estado em Paris. Deixei crescer a barba em pensamento, comprei um
par de óculos para míope, e passava as noites espiando o céu estrelado, um
cigarro entre os dedos. Chamava-me então Adilson, mas logo mudei para Heitor,
depois Ruy Barbo, depois finalmente Astrogildo, que é como me chamo ainda hoje,
quando me chamo.
O Apanhador no Campo de Centeio
(J.D. Salinger)
Se querem mesmo ouvir o que aconteceu, a
primeira coisa que vão querer saber é onde nasci, como passei a porcaria da
minha infância, o que os meus pais faziam antes que eu nascesse, e toda essa
lenga-lenga tipo David Copperfield, mas, para dizer a verdade, não estou com
vontade de falar sobre isso. Em primeiro lugar, esse negócio me chateia e, além
disso, meus pais teriam um troço se contasse qualquer coisa íntima sobre eles.
São um bocado sensíveis a esse tipo de coisa, principalmente meu pai. Não é que
eles sejam ruins — não é isso que estou dizendo — mas são sensíveis pra burro.
O Amanuense Belmiro
(Cyro dos Anjos)
Ali pelo oitavo chope, chegamos à
conclusão de que todos os problemas eram insolúveis. Florêncio propôs, então,
um nono, argumentando que outro copo talvez trouxesse a solução geral. Éramos
quatro ou cinco, em torno de pequena mesa de ferro, no bar do Parque. Alegre
véspera de Natal! As mulatas iam e vinham, com requebros, sorrindo dengosamente
para os soldados do Regimento de Cavalaria. No caramanchão, outras dançavam
maxixe com pretos reforçados, enquanto um cabra gordo, de melenas, fazia a
vitrola funcionar.
A Metamorfose
(Franz Kafka)
Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de
sonhos intranquilos, em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava
deitado sobre suas costas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça,
viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo de
qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha. Suas
numerosas pernas, lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do
corpo, tremulavam desamparadas diante dos seus olhos.
O Ventre
(Carlos Heitor Cony)
Positivamente, meu irmão foi acima de tudo
um torturado. Sua tortura seria interessante se eu a explorasse com critério —
mas jamais me preocupei com problemas do espírito. Belo para mim é um bife com
batatas fritas ou um par de coxas macias. Não sou lido tampouco. A única
atração que tive por livro limitou-se à ilustração de um tratado de educação
sexual que o vigário do Lins fez o pai comprar para nosso espiritual proveito.
Só creio naquilo que possa ser atingido pelo meu cuspe. O resto é cristianismo
e pobreza de espírito.
Lolita
(Vladimir Nabokov)
(Vladimir Nabokov)
Lolita, luz de minha vida, labareda em
minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em
três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os
dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e
quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir
os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada.
Mas em meus braços sempre foi Lolita. Será que teve uma precursora? Sim, de
fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo
verão, eu não houvesse amado uma menina primordial.
(Luis Fernando Verissimo)
Me chame de Ismael e eu não atenderei. Meu
nome é Estevão, ou coisa parecida. Como todos os homens, sou oitenta por cento
água salgada, mas já desisti de puxar destas profundezas qualquer grande besta
simbólica. Como a própria baleia, vivo de pequenos peixes da superfície, que
pouco significam mas alimentam. Você talvez tenha visto alguns dos meus livros
nas bancas. Todo homem, depois dos quarenta, abdica das suas fomes, salvo a que
o mantém vivo. São aqueles livros mal impressos em papel jornal, com capas
coloridas em que uma mulher com grandes peitos de fora está sempre prestes a
sofrer uma desgraça.
As Ondas
(Virginia Woolf)
O Sol ainda não nascera. Era quase
impossível distinguir o céu do mar, mas este apresentava algumas rugas, como se
de um pedaço de tecido se tratasse. Aos pouco, à medida que o céu clareava, uma
linha escura estendeu-se no horizonte, dividindo o céu e o mar. Então o tecido
cinzento coloriu-se de manchas em movimento, umas sucedendo-se às outras, junto
à superfície, perseguindo-se mutuamente, em parar.
Dom Quixote
(Miguel de Cervantes)
Desocupado leitor: sem juramento meu
embora, poderás acreditar que eu gostaria que este livro, como filho da razão,
fosse o mais formoso, o mais primoroso e o mais judicioso e agudo que se
pudesse imaginar. Mas não pude eu contravir a ordem da natureza, que nela cada
coisa engendra seu semelhante. E, assim, o que poderá engendrar o estéril e mal
cultivado engenho meu, senão a história de um filho seco, murcho, antojadiço e
cheio de pensamentos díspares e nunca imaginados por ninguém mais, exatamente
como quem foi engendrado num cárcere, onde toda a incomodidade tem assento e
onde todo o triste barulho faz sua habitação?
Cem Anos de Solidão
(Gabriel García Márquez)
Muitos anos depois, diante do pelotão de
fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota
em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de
vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas
diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes
como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de
nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo.
segunda-feira, 6 de maio de 2019
500 livros de arte para download gratuito
O Metropolitan Museum of Art, de Nova York, um dos maiores e mais importantes museus do mundo, disponibilizou parte de suas publicações para download gratuito. São mais de 500 livros. As obras disponibilizadas foram publicadas entre 1964 e 2017 e compreendem todo o período da história da arte — ressaltando as características artísticas distintivas e influentes, classificando as diferentes formas de cultura e estabelecendo a sua periodização.
Além de estudos críticos sobre arquitetura, dança, escultura, música, pintura, literatura, teatro, cinema e fotografia, o acervo também contempla estudos e perfis biográficos de artistas como Pablo Picasso, Salvador Dalí, Van Gogh, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rembrandt, Claude Monet, Rosa Bonheur, Georgia O’Keeffe, John Singer Sargent e Utagawa Hiroshige. Os livros estão disponíveis para download no formato PDF ou podem ser lidos on-line. Também existe a possibilidade de comprá-los em formato impresso.
Clique no link para acessar: 500 livros de arte para download gratuito
terça-feira, 23 de abril de 2019
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
Gabriel García Márquez
27 Mil arquivos raros de Gabriel García Márquez
Para download gratuito
Uma viagem pela intimidade de Gabriel García
Márquez
Universidade do Texas digitaliza o arquivo do Nobel colombiano e coloca dezenas de milhares de manuscritos, fotografias e outros documentos à disposição na Internet–por Pablo Ximénez de Sandoval*
Universidade do Texas digitaliza o arquivo do Nobel colombiano e coloca dezenas de milhares de manuscritos, fotografias e outros documentos à disposição na Internet–por Pablo Ximénez de Sandoval*
O General em seu Labirinto. Sétima
versão dactilografada. Página 38. “(…) A pressa sem coração do
relógio hexagonal desenfreado para um encontro inelutável depois de amanhã, à
uma hora e doze minutos da sua tarde final.” Não, hexagonal, não;
o relógio é octogonal. E tampouco a hora fatal seria 13h12, e sim 13h07. Depois
de amanhã virou 17 de dezembro na edição publicada. São correcções à mão
de Gabriel García Márquez sobre seu próprio manuscrito. Milhares
de páginas como esta enchiam o arquivo pessoal do escritor que foi adquirido
pela Universidade do Texas há três anos, depois da sua morte. Desde a última
segunda-feira, as dúvidas mais íntimas de García Márquez sobre seus próprios
textos estão acessíveis online para fãs e pesquisadores.
O arquivo digitalizado abrange mais de 27.000
imagens de papéis e fotografias. “Minha mãe, meu irmão e eu sempre tivemos
o compromisso de que o arquivo do meu pai chegasse a um público o mais amplo
possível”, disse Rodrigo García, filho do escritor, num comunicado da
instituição. “Este projeto permite um acesso ainda maior ao trabalho de meu pai,
inclusive para a comunidade global de estudantes e pesquisadores.” Essa
digitalização – ainda mais em se tratando de um autor contemporâneo desse nível
– é uma jóia rara para estudiosos da literatura, já que dá acesso universal a
segredos de edição das obras-primas de García Márquez que só ele conhecia.
O projeto permite a busca por
palavra-chave nos papéis que haviam ficado guardados nas gavetas do autor. Mas
não só. O arquivo inclui uma ferramenta chamada mirante, em que é possível
cotejar diferentes versões dos manuscritos. Ou seja, ler o livro inteiro em
diferentes versões, uma ao lado da outra, e ver como sua construção evoluiu
parágrafo a parágrafo. Podem ser consultados 134 esboços de romances. Entre
as obras digitalizadas estão a 10 versão que fez da sua última obra, Em Agosto
nos Vemos, que nunca chegou a considerar pronta para publicar.
Os materiais pertencem a livros
protegidos por direitos autorais. A directora de coleções digitais do Harry
Ransom Center, Liz Gushee, conta no mesmo comunicado que tudo foi feito “com
prévia autorização dos titulares dos direitos”. “O apoio da família de García
Márquez tornou possível este importante projeto”, dizem os responsáveis pela
iniciativa, que destacam as novas ferramentas digitais para procurar e comparar
documentos on-line.
Entre os papéis pessoais também estão
digitalizados 22 cadernos em que o escritor colecionava críticas, comentários
sobre suas obras e entrevistas à imprensa. As 310 fotos pessoais publicadas
incluem personagens como Fidel Castro, mas também fotos de sua infância ou de
seus avós, até todos os passaportes expirados que guardou. As descrições
podem ser procuradas em inglês e espanhol. A classificação dos materiais em
castelhano contou com a ajuda do centro de estudos latino-americanos Benson,
da Universidade do
Texas.
Gabriel García Márquez, prémio Nobel de
Literatura de 1982, morreu em Abril de 2014, aos 87 anos. Seus filhos passaram
um ano negociando a venda de seu arquivo pessoal ao prestigioso Harry Ransom
Center, uma instituição ímpar, onde acabaram sendo depositados os acervos de
James Joyce, Jorge Luis Borges, Ernest Hemingway e Samuel Beckett. Depois do
meio século colecionando, o HRC possui mais de 40 milhões de documentos,
incluindo mais de 80.000 imagens que podem ser vistas via Internet.
O objetivo era a proteção dos
documentos, cadernos e fotos que García Márquez guardou, mas o acesso público
sempre foi o objetivo final. “Adquirimos o acervo para torná-lo acessível”,
disse o diretor da instituição, Stephen Ennis, ao EL PAÍS na época da
aquisição. Esta foi a primeira vez que o HRC adquiriu o arquivo completo de um
escritor latino-americano contemporâneo, num esforço da Universidade do Texas
em Austin para se situar não só como uma referência da literatura em inglês,
mas também como um centro de estudos voltado para a América Latina.
O arquivo foi adquirido por 2,2 milhões
de dólares (7,3 milhões de reais, pelo câmbio atual) e chegou a Austin em
novembro de 2014. Tudo o que Gabo guardava na sua casa do México ocupava 20
caixas de papelão, incluindo três computadores pessoais. Antes de um ano, os
arquivistas já haviam classificado o material em 78 caixas de documentos, 43
álbuns de fotos e 22 cadernos de recortes e notas. Em outubro de 2015, o
arquivo foi aberto a pesquisadores na sede do Harry Ransom Center em Austin,
que recebe 10.000 estudantes por ano. A partir da última segunda-feira, pela
primeira vez, qualquer pessoa conectada à Internet também pode abrir as gavetas
do escritório de Gabriel García Márquez e ler seus papéis, suas anotações, suas
mudanças e arrependimentos em obras magistrais, e bisbilhotar as fotos pessoais
que guardou com ele por toda a vida.
*Originalmente
publicado no site El País Brasil.
sábado, 31 de março de 2018
ESTÓRIAS VIVIDAS; RELATOS DE GUERRA DE UM PILOTO DE HELICÓPTEROS EM ÁFRICA
O autor, José Augusto Barrigas Queiroga, major-general
piloto aviador na situação de reforma, cumpriu duas comissões de serviço
pilotando Alouette III, em Angola e Moçambique, e selecionou da sua memória 16
estórias que muito nos dizem sobre a História do que foi a participação das
tripulações destes meios aéreos na guerra naquelas antigas Províncias
Ultramarinas nos anos em causa (1967-70 e 1973-75).
EXCERTO DO LIVRO:
Tenho lido, ao longo de anos, narrativas diversas de episódios relativos ao conflito que Portugal travou em África; Como ex-combatente, também eu vivi alguns, mas não tinha tido, até então apetência para os passar a escrito; Achava eu, que não tinham relevância e que ninguém estaria interessado. Há alguns anos atrás, manhã bem cedo, recebi um telefonema de um amigo que não via desde o tempo em que servimos juntos em Angola; o Quintino. Era o dia 1 de Julho, dia comemorativo da nossa Força Aérea. O meu amigo Quintino, então 1Cabo Mecânico de Material Aéreo em Angola, contactou-me, para me lembrar um episódio de guerra que ambos tínhamos vivido nesse dia, durante uma evacuação de feridos em combate, no enclave de Cabinda. Falámos durante muitos minutos e senti uma imensa alegria ao relembrar essa e outras situações vividas. Admiti, então, que outros, que em África combateram, poderiam gostar de recordar comigo esses tempos. Desde aí tomei a decisão de escrever, melhor direi, de fazer uma espécie de �relatório de missão�, de alguns dos episódios que mais me marcaram. E assim nasceu esta publicação!
Tenho lido, ao longo de anos, narrativas diversas de episódios relativos ao conflito que Portugal travou em África; Como ex-combatente, também eu vivi alguns, mas não tinha tido, até então apetência para os passar a escrito; Achava eu, que não tinham relevância e que ninguém estaria interessado. Há alguns anos atrás, manhã bem cedo, recebi um telefonema de um amigo que não via desde o tempo em que servimos juntos em Angola; o Quintino. Era o dia 1 de Julho, dia comemorativo da nossa Força Aérea. O meu amigo Quintino, então 1Cabo Mecânico de Material Aéreo em Angola, contactou-me, para me lembrar um episódio de guerra que ambos tínhamos vivido nesse dia, durante uma evacuação de feridos em combate, no enclave de Cabinda. Falámos durante muitos minutos e senti uma imensa alegria ao relembrar essa e outras situações vividas. Admiti, então, que outros, que em África combateram, poderiam gostar de recordar comigo esses tempos. Desde aí tomei a decisão de escrever, melhor direi, de fazer uma espécie de �relatório de missão�, de alguns dos episódios que mais me marcaram. E assim nasceu esta publicação!
O tempo passa mas para memória futura fica este livro.
Conheci o autor então nos anos 80, em Tancos
era nesse tempo Tcor/Pilav Comandante de Grupo.
sábado, 4 de novembro de 2017
Manuel Alegre: "Os que nos governam não sabem história"
É o primeiro livro de poemas
que Manuel Alegre lança após ter recebido o Prémio Camões. Um conjunto de
poesias em torno do prior do Crato, que considera ser um protagonista ignorado
sem razão.
O intuito pedagógico existe em Auto de
António - Último Príncipe de Avis, o mais recente livro de
poesia de Manuel Alegre. Explica: "Quero mostrar que na pior hora da
história de Portugal o povo não se submeteu [ao domínio dos Filipes], o que
custou muitas mortes. Essa figura lendária de D. António, prior do Crato, é um
exemplo da insubmissão que não se rende, de alguém que morre longe, em Paris,
com dificuldades e de quem nem se sabe bem onde está o seu corpo. VER
Subscrever:
Mensagens (Atom)





















