sábado, 9 de novembro de 2019

UM DIA ISTO TINHA QUE ACONTECER (por Mia Couto)


UM DIA ISTO TINHA QUE ACONTECER (por Mia Couto)
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou.
Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

sábado, 3 de agosto de 2019

"Esteiros" - Soeiro Pereira Gomes

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A história de cinco meninos que trabalhavam em vez de ir à escola, é a obra prima de . A miséria retratada em "Esteiros" é mais do que ficção: é a realidade de um país pobre, sem esperança, onde mais de metade da população é analfabeta.

Da janela do quarto, Soeiro Pereira Gomes observava a luta trágica dos operários para sobreviver. Entre os homens, havia crianças em idade de aprender as primeiras letras. Recolhiam o barro dos estreitos canais do rio Tejo, os esteiros, para dele fazerem telhas e tijolos. Trabalhavam a troco de um salário miserável, que os condenava à mendicidade, a uma vida sem saída da pobreza. O autor via tudo da janela da sua casa, em Alhandra, e refletia sobre a injustiça de uma sociedade opressora e exploradora, organizada em favor dos mais fortes. Em vez de calar, prefere denunciar com palavras e outros atos de resistência ao regime de Salazar.
Publicado em 1941, “Esteiros”, tem personagens inspiradas na realidade: Gaitinhas, Guedelhas, Gineto, Maquineta e Sagui, são “os filhos dos homens que nunca foram meninos”, dedicatória do autor a abrir o romance. A obra, uma das mais emblemáticas do movimento neorrealista português, é escrita numa linguagem acessível mas cuidada, com frases simples, privilegiando o discurso direto para dar voz aos oprimidos. A 1.ª edição tem capa e ilustrações de Álvaro Cunhal, o histórico fundador do PCP, o partido comunista português ao qual o escritor aderira em 1937.
Soeiro Pereira Gomes passa a infância no Douro, estuda em Coimbra, trabalha um ano em Angola e, finalmente, fixa residência na vila de Alhandra, onde decorre a ação deste seu primeiro romance. Antes, em 1931, escrevera o conto “O Capataz” mas a censura impede a publicação. Ele próprio é, de certa forma, um operário; trabalha nos escritórios de uma fábrica de cimento e conhece bem as condições desumanas praticadas naquela unidade fabril.
Por essa altura colabora em jornais e revistas,  desenvolve atividades culturais, cria bibliotecas, ensina ginástica aos filhos dos operários e empenha-se na construção de uma piscina pública. Depois de liderar o movimento grevista da fábrica Cimento Tejo de Alhandra, é obrigado a passar à clandestinidade e afastar-se para sempre da sua mulher, entretanto presa pela PIDE para o obrigar a entregar-se.
O romancista militante, apanhado pela morte aos 40 anos, deixa uma obra breve mas marcante: dois romances  (“Engrenagem” e “Esteiros”), um livro de contos (“Contos Vermelhos”), crónicas e contos avulsos que foram sendo publicados. A produção literária é todavia suficiente para fazer de Soeiro Pereira Gomes (1909-19499) um dos nomes maiores do neorealismo português.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Livros grátis em PDF de 80 Mulheres Escritoras.

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#4. Memorias de una joven formal - Simone de Beauvoir (leer aquí)
#5. La Mujer Rota - Simone de Beauvoir (leer aquí)
#6. El diario íntimo de Frida Kahlo: amor y transgresión / Armstrong Priscilla (leer aquí)
#7. Frida Kahlo: La inquietante extrañeza femenina en un arte de ruinas  (leer aquí)
#8. La Pintura de Fridas Kahlo y el Barroco Americano: Diálogo e inserción en una tradición (leer aquí)
#9. La ambigua escritura de Simone de Beauvoir - Grau Duhart, Olga (leer aquí)
#10. Simone de Beauvoir: un análisis comparativo de dos teorías de la libertad - Hannah Arendt (leer aquí)
#11. La escritura de Simone de Beauvoir como proyecto global (leer aquí)
#12. La inocencia de Isabel Allende / por Carlos Franz (leer aquí)
#13. Compilación de Poemas de Alfonsina Storni (leer aquí)
#14. Manuscritos y material valioso de Alfonsina Storni (leer aquí)
#15. Dedicatoria de Ana María Matute en un ejemplar de su libro "Olvidado rey Gudú" / Ana María Matute (leer aquí)
#16. Demonios familiares - Ana María Matute (leer aquí)
#17. El Universo Literario de Ana María Matute (leer aquí)
#18. Ana María Matute - Pequeño teatro (leer aquí)
#19. Rosario Castellanos : la inteligencia como única arma / Raquel Lanseros (leer aquí)
#20. Más de 30 poemas inspiradores de Rosario Castellanos (leer aquí)
#21. Rosario Castellanos. Del rostro al espejo / de la voz a la letra / del cuerpo a la escritura (leer aquí)
#22. Poemas de Rosario Castellanos (leer aquí)
#23. El eterno femenino en la obra de Rosario Castellanos  (leer aquí)
#24. Entre los poemas míos - Rosario Castellanos (leer aquí)
#25. Compilación de Poemas de Alfonsina Storni (leer aquí)
#26. Manuscritos y material valioso de Alfonsina Storni (leer aquí)
#27. Subjetividad Femenina y experiencia moderna en la escritura de Alfonsina Storni (leer aquí)
#28. El imaginario eròtico femenino en Delmira Agustini y Alfonsina Storni (leer aquí)
#29. La poesía de Alfonsina Storni (leer aquí)
#30. Relectura de la Mistral / Gonzalo Rojas (leer aquí)
#31. Metapoesía y mujer poeta en la obra de Gabriela Mistral (leer aquí)
#32. La construcción y reconstrucción de los imaginarios e identidades femeninas en la poesía de Gabriela Mistral  (leer aquí)
#33. El epíteto en Desolación, de Gabriela Mistral  (leer aquí)
#34. Gabriela Mistral en su poesía  (leer aquí)
#35. Comienzos de Gabriela Mistral (leer aquí)
#36. La prosa poética de Gabriela Mistral: identidad y discurso (leer aquí)
#37. La risa de Gabriela Mistral. Una historia cultural del humor en Chile e Iberoamérica (leer aquí)
#38. “Más sabes que el blanco ciego”: Pacto de lectura pedagógico con Poema de Chile de Gabriela Mistral (leer aquí)
#39. Tala - Gabriela Mistral (leer aquí)
#40. Gabriela Mistral en verso y prosa (leer aquí)
#41. Caperucita en Manhattan : Carmen Martín Gaite al margen de Perrault (leer aquí)
#42. Carmen Martín Gaite - El cuarto de atrás (leer aquí)
#43. Los Cuadernos de Todo de Carmen Martín Gaite: lengua y memoria (leer aquí)
#44. Lo que queda enterrado, de Carmen Martín Gaite (leer aquí)
#45. La construcción del sujeto femenino en la cuentística de Rosa Montero (leer aquí)
#46. Lágrimas en la lluvia - Rosa Montero (leer aquí)
#47. Agatha Cristie, la reina del crimen : (un ensayo sobre sus novelas policiacas) / por Carolina-Dafne Alonso-Cortés (leer aquí)
#48. Anatomía de Agatha Christie / Carolina-Dafne Alonso-Cortés (leer aquí)
#49. Diez negritos - Agatha Christie (leer aquí)
#50. La ratonera - Agatha Christie (leer aquí)
#51. Virginia Woolf en los Testimonios de Victoria Ocampo: tensiones entre feminismo y colonialismo  (leer aquí)
#52. "Orlando" de Virginia Woolf, en la traducción de Jorge Luis Borges (1937) / Leah Leone  (leer aquí)
#53. Una habitación propia - Virginia Woolf (leer aquí)
#54. Virginia Woolf, el fluir de la conciencia (leer aquí)
#55. Cumbres Borrascosas - Emily Brontë  (leer aquí)
#57. El mortal inmortal - Mary Shelley  (leer aquí)
#58. Cuaderno de poesía crítica nº. 05: Gloria Fuertes (leer aquí)
#59. El abecedario de Don Hilario. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#60. Animales en familia. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#61. Bajo el sol y sin abrigo. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#62. Animales trabajadores. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#63. La noria de Gloria. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#64. La Oca loca. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#65. Coleta la poeta. Selección / Gloria Fuertes  (leer aquí)
#66. Chupachús : chistes, acertijos y canciones. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#67. Cuentos de animales : la pata mete la pata. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#68. Coleta payasa, ¿qué pasa?. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#69. Diccionario estrafalario. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#70. El domador mordió al león. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#71. Doña Pito Piturra / Gloria Fuertes (leer aquí)
#72. El hada acaramelada. Selección / Gloria Fuertes  (leer aquí)
#73. El dragón tragón. Selección / Gloria Fuertes  (leer aquí)
#74. El libro loco de todo un poco : cuentos, versos, aventuras, historietas, fantasías, chistes, acertijos, poesías, botijos, etc. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#75. El libro de las flores y de los árboles. Selección / Gloria Fuertes  (leer aquí)
#76. La momia tiene catarro. Selección / Gloria Fuertes  (leer aquí)
#77. La ardilla y su pandilla. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#78. Cangura para todo. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#79. Versos fritos. Selección / Gloria Fuertes (leer aquí)
#80. Más obras de Gloria Fuertes (leer aquí)
#81. Cantos populares de mi tierra - Candelario Obeso (leer aquí)
#82. Candelario Obeso. Una apuesta pedagógica, estética y social (leer aquí)
#83. Innovaciones estructurales en la poética de Elsa Wiezell (leer aquí)
#84. El memorialismo discursivo en Ifìgenia de Teresa de la Parra (leer aquí)

domingo, 7 de julho de 2019

Haruki Murakami

Haruki Murakami
Escritor
Descrição
Haruki Murakami, é um escritor e tradutor japonês. Seus livros são sucessos de vendas no Japão e internacionalmente, sua obra foi traduzida para mais de 50 idiomas.
Nascimento12 de janeiro de 1949 (idade 70 anos), Quioto, Quioto (prefeitura), Japão
CônjugeYoko Murakami (desde 1971)

1. A solidão é a melhor via para o conhecimento. 
2. O mundo é imprevisível.
3. Não procure um sentido.
4. Se sobreviver ao caos, você já ganhou.
5. O orgulho e o medo nos tiram o melhor da vida.